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Muito além de uma voz bonita: conheça radialistas que são referência para nova geração

07 de novembro é o dia do radialista, em homenagem a data de nascimento de Ary Barroso
Marcele Lima Por: 07/11/2019 - 19:07
Dia do Radialista/Pixabay
Dia do Radialista/Pixabay

Ary Barroso foi um dos maiores compositores da música brasileira. Escreveu samba, marchinhas de carnaval, samba canção. Entre eles muitos sucessos que ficaram eternizados na voz de Gal Costa, Chico Buarque e João Gilberto, como Aquarela do Brasil. No entanto Barroso dedicou parte de sua vida também ao rádio. Foi locutor esportivo, lembrado até hoje pela maneira única de narrar os jogos; e apresentou durante muito tempo os programas de calouros tradicionais na era de ouro do rádio brasileiro.

Em 2006 foi criada uma lei para reverenciar o legado de Ary Barroso para a comunicação radiofônica do país: 7 de novembro seria proclamado o Dia do Radialista, em alusão ao nascimento do profissional, no mesmo dia do ano de 1903. Muitos outros profissionais ingressaram no veículo tendo Ary como referência e muitos conquistaram seu próprio reconhecimento, sua marca e fizeram tanto sucesso que inspiram a carreira de muita gente até hoje. Confira uma lista com alguns desses radialistas.

Afanásio Jazadji

Muita gente sabe que o rádio é um veículo de prestação de serviços, por ser um meio mais acessível e democrático que outros. E Afanásio Jazadji representou bem este papel. Em 1980 criou dentro do seu programa o quadro “Disque Denúncia” para os ouvintes denunciarem os problemas e os crimes da sua localidade. Cinco anos mais tarde apresentou o “Gente procurando gente”, quadro que lhe permitiu entrar no Livro dos Recordes por promover o reencontro de pessoas pelo Brasil. Entre eles, o caso de duas primas que não se viam há mais de 70 anos. 

Inezita Barroso

Inezita Barroso era de uma família rica e teve seu primeiro contato nas rodas de viola com os vizinhos envolta de música caipira, como gostava de chamar. Posteriormente virou estudiosa do estilo deste tipo de música e conquistou espaço como apresentadora de programas de rádio e televisão. Inezita ficou conhecida como a estrela da manhã do rádio brasileiro por conta do programa que levou ao ar durante anos na Cultura AM. Foi uma mulher que criou sua identidade em meio a um mercado masculinizado e buscou valorizar as raízes da música feita no interior do país, recebendo o pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o título de comendadora da música folclórica brasileira. 

Gino César

Por 30 anos, Gino César foi conhecido como o “Repórter do Bandeira Dois”, da Rádio Jornal, em Pernambuco. No entanto, sua história com o veículo começa antes disso, quando veio do interior do estado para trabalhar na capital, tendo passado por funções como motorista de táxi e de emissoras de rádio. Daí foi ator de radionovelas e levou o estilo de narração para o jornalismo policial. Passou por importantes emissoras como Tamandaré, Clube e Olinda, até ir para a Jornal e ser um dos radialistas mais ouvidos e conhecidos das manhãs pernambucanas. 

Mara Régia

Desde setembro de 1981, a comunicadora Mara Régia está a frente do programa Viva Maria. Não é um programa qualquer, é um espaço de ocupação, de voz e de luta das mulheres por igualdade. A inspiração para criação do programa vem de casa. Mara via a mãe sofrer com a violência doméstica e sempre sonhou em poder ajudar outras mulheres a não passarem pelo mesmo. O rádio se tornou seu instrumento, sendo considerada uma pioneira no incentivo ao empoderamento feminino nos meios de comunicação. 

O Viva Maria é distribuído pela Rádio Agência Nacional para mais de 4 mil emissoras em todo Brasil, de segunda a sexta-feira, e pode ser acessado também online pela internet. 

Geraldo Freire

Conhecido como o “Comunicador da Maioria”, há mais de 30 anos Geraldo Freire entra na casa dos pernambucanos com um programa que traz notícias, prestação de serviços, campanha de entrega de cadeiras de rodas e abre espaço para a comunidade. A linguagem próxima ao ouvinte, o jeito escrachado característico e os tantos debates, opiniões e entrevistas polêmicas fazem com que Geraldo seja parte importante da história do rádio no Brasil. 

Bônus

O último Repórter Esso

De 1941 a 1968 o Repórter Esso foi veiculado na Rádio Nacional do Rio de Janeiro e noticiou fatos importantes para o Brasil e para o mundo, como a morte de Getúlio Vargas e o fim da Segunda Guerra Mundial, por exemplo. O noticiário foi apresentado por diferentes radialistas, no entanto um momento vivido por Roberto Figueiredo é histórico para quem é apaixonado pelo rádio. 

No dia 31 de dezembro de 1968 ia ao ar a última edição do programa e Figueiredo ficou encarregado da difícil de missão de narrar os caminhos percorridos pelo Repórter Esso até ali. A voz potente e segura deu lugar ao embargo e emoção, sendo um dos momentos mais marcantes do radialismo brasileiro.

Ouça

No Brasil, além do dia 07 de novembro, os radialistas também tem o dia 21 de setembro para comemorar. Isso porque em 1943 o Presidente Getúlio Vargas sancionou na ocasião o decreto que fixava o pagamento do piso salarial para os profissionais da categoria

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