Lançar-se ao desafio de ingressar no campo da ciência não é fácil. Desenvolver uma pesquisa com apenas 19 anos, em dois meses de intercâmbio em outro país, torna o fazer científico ainda mais difícil. O estudante Denis Vale Melo, do quarto semestre de Direito, na Unama, encarou a experiência depois de ser um dos 17 aprovados, dentre 41 projetos inscritos, no programa de bolsas de intercâmbio para graduação e pós-graduação em carreiras de Ciências Agrárias. As bolsas de estudos foram ofertadas em todos os países pan-amazônicos pela Iniciativa Amazônica, consórcio de cooperação de instituições de pesquisas sobre agropecuária dos países econômicos, e a Unamaz.
Seguindo a linha de pesquisa sobre políticas públicas para o uso sustentável de recursos naturais e recuperação de áreas degradadas, Denis elaborou um projeto intitulado “Conflitos Agrários como feito degradante dos recursos naturais”, o enviou para a Universidad Amazónica de Pando, na Bolívia, e foi aprovado. No dia 9 de janeiro, o estudante e mais dez aprovados embarcaram em intercâmbio para os centros nacionais e internacionais de pesquisa que formam o consórcio da IA.
“O projeto tinha que se adequar à realidade da Bolívia. Optei, então, pelo conflito entre os comerários, como chamam a população rural local, e os barraqueiros, que são os latifundiários, e percebi que o interesse de ambos era pela castanha-do-pará. A Bolívia é a maior exportadora de castanha industrializada do mundo, sendo que no Brasil há uma quantidade dez vezes maior”, conta Denis, que passou os dois meses em convívio diário com as comunidades em entrevistas, reuniões e encontros com autoridades locais. O objetivo era mostrar que a extração demasiada de castanhas acaba interrompendo o ciclo natural das árvores e, em pouco tempo, pode não haver mais castanheiras.
O intercâmbio, que visa a buscar soluções para o desenvolvimento amazônico, teve excelentes resultados. Segundo Denis, o projeto final prevê um acordo internacional para frear a exploração das castanheiras. Além disso, a direção da reserva nacional onde estava atuando aprovou a criação da cartilha “Órgão Social para Soluções de Conflitos”. O estudante explica que as comunidades locais carecem de informações de seus direitos sobre suas propriedades e a cartilha ajudaria na orientação sobre direito da terra e desenvolvimento sustentável.
Planos para o futuro Denis também já tem. Apesar de estudar Direito, área na qual a pesquisa científica não tem muita tradição, ele diz que pretende seguir essa carreira. “Quero poder trabalhar com iniciação científica aqui mesmo na Unama também na área de conflitos agrários”, observa. |